quinta-feira, 21 de maio de 2009

A emoção de ser professor



Brasílio Neto

Alto verão. Dentro da sala de aula, a turma conta os minutos para sair. Suas mentes estão dominadas por imagens de sorvetes, bicicleta, a mangueira do jardim ou a piscina do clube, o desenho animado japonês do final da tarde. Aí, a professora começa a passar a lição de casa. Ou, simplesmente indica as páginas do livro de exercícios que devem ser preenchidas até o dia seguinte. A turma toda murcha na hora. Surgem as opções:
1) Chegar em casa, almoçar e ir fazer a lição. Isso, lógico, se conseguir vencer a preguiça pós-refeição e o chamado da rua. Geralmente, não se consegue.

2)Ir se divertir, voltar à tardinha e fazer a lição. Isto é, depois do banho,que fica melhor para pensar. Aí vem a hora do jantar. Depois tem aquele programa legal na TV e... daqui a pouco, hora de ir para a cama.

3)A opção que escolhíamos quando criança: fazer tudo apressadamente no ônibus a caminho da escola ou na sala mesmo, naquele espaço de tempo que a professora leva para atravessar a sala e dizer "bom dia".

Não me lembro de ter tido um pensamento positivo a respeito do dever de casa, mas reconheço que ele me ensinou muito. E a principal lição, vinda do fato de que a escola obrigava os pais dos alunos a darem um visto na lição de casa, foi: se você quer falsificar uma assinatura, treine antes. Nada de rabiscar direto no caderno, não vai colar.
Motivo e motivação - A verdade é que a tarefa de casa não precisa ser encarada assim por seus alunos. O primeiro passo é explicar a eles porque eles devem fazer a tarefa de casa.
Eles precisam saber como aqueles exercícios irão trazer-lhes benefícios, a importância deles na sua educação. Essas razões incluem (mas não estão limitadas).

- Você estudará mais rapidamente para a prova e suas notas serão possivelmente maiores.
- Caso surja alguma dúvida, o professor poderá ajudá-lo no dia seguinte. Sem o dever de casa, a dúvida apareceria no dia da prova. Desagradável, para dizer o mínimo.
- Vai ajudá-lo a aprender a administrar o tempo, algo que você vai precisar na sua vida profissional.
- Vai aumentar seu poder de concentração e auto-disciplina.
- Vai ensiná-lo a trabalhar sozinho.
- Permite que o professor saiba exatamente como ele está dando suas aulas, e pode melhorá-las.
Caso seu aluno tenha uma atitude negativa em relação ao dever de casa, vai demorar mais para concluí-la. A atitude, a maneira como um estudante vê uma tarefa é responsável por 90% de seu esforço para completá-la. O que pode levar a um outro problema.
Ora, se seu aluno fica se debatendo horas para terminar uma tarefa de matemática, seus pais podem chegar à conclusão de que ele não leva jeito para matemática, ou que o ensino da escola é fraco.

Problemas domésticos -Outro fator que pode prejudicar o andamento do estudo em casa é aquilo que cerca seu aluno. Existem inúmeras distrações, e o ambiente escolhido para trabalhar pode não ser o mais adequado. Veja a seguir algumas dicas para ajudá-lo a montar um pequeno escritório em sua casa.

- Tenha um local fixo somente para estudar. Este local, além de ser livre de interrupções, ajuda a "programar" a mente do aluno: ele sabe que, toda a vez que for naquele canto, é hora de estudar. Isso faz com que o estudo se desenvolva mais rapidamente. Não é necessário destinar um cômodo da casa para isso - basta um cantinho especial, bem iluminado e arejado. De preferência, que não influa no resto da família. Por exemplo, a mesa da cozinha parece ser um local adequado, a não ser que seja disputado entre os livros do filho e a galinha que a mãe (ou o pai, sejamos atuais) está preparando para a canja de logo mais.

- O horário é tão importante quanto o local. Ajude-os a estabelecer uma rotina de estudos, escolhendo uma hora normalmente tranqüila e na qual eles rendem mais para dedicar aos estudos domésticos. E, algo que poucos sabem: se o estudo tem uma hora para começar, também deve ter uma hora para terminar. Assim, eles administram melhor o tempo e acabam rendendo mais. E, na possibilidade de o tempo não ser suficiente, pode-se dar mais cinco minutos para o fato. Não há má-vontade que não conceda cinco minutinhos. E, uma vez entretido com o exercício, são poucas as possibilidades de se olhar no relógio, facilitando assim o término da lição.

- Também devem ser tomados cuidados com as distrações. Televisão e telefone, lógico, devem ser deixados de lado. Música pode ser liberada, dependendo do tipo de aluno.

Acordo de cavalheiros
- O professor também pode ajudar seu aluno ao impor-se certas regras de tarefa de casa. Se você fizer com que esses regulamentos sejam acordados com todos os professores, melhor. Veja:

- Passe uma quantidade de tarefa de casa semelhante todos os dias (por exemplo, cinco exercícios curtos) assim, seus alunos saberão sempre o que esperar e poderão se programar melhor.

- Passe menos (ou não passe) tarefa para casa às vésperas de provas de outras disciplinas.

- Indique diferentes materiais de pesquisa: vários livros, revistas, autores. Não há mal nenhum em permitir que, à medida que estuda, o aluno se identifique mais com determinado autor ou estilo. É uma maneira de despertar o prazer pela leitura.

- Se a quantidade deve permanecer mais ou menos constante, o mesmo não vale para a forma. Varie seus exercícios. Uma série de questões objetivas em um dia, uma pequena redação em outra. Dessa forma, você estará verificando o aprendizado (e a qualidade de suas aulas) de forma mais completa.


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